quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

É polarização e não tem escapatória

 Sobre a incontornável polarização política do momento.  Pequena nota. Um breve comentário.


A gente era feliz e não sabia. Sim. A gente era feliz. Depois apareceu o gado de direita. A gente tinha polarização política? Tinha. Mas não era essa loucura. A gente convivia com fascistas na sociedade? Sim, mas eram poucos, entocados, ficavam na deles. Agora tudo mudou, não adianta reclamar, falar que a polarização política tem que acabar e tal. Quem estabeleceu a atual polarização política foi o bolsonarismo. 

30 a 40% da população vota em Bolsonaro ou em quem o Bolsonaro mandar votar. Esse pessoal saiu dos bueiros. Não tem como fugir da polarização. A verdade é que não só a esquerda vota no Lula contra Bolsonaro. Tem gente que não tá nem aí com a política e vota no Lula contra Bolsonaro. Tem gente liberal, de centro, centro-direita, que vota em Lula contra Bolsonaro. Qualquer pessoa honesta, com alguma lucidez, vota em Lula contra Bolsonaro.

Uma hora vai voltar a direita pro governo, infelizmente. Mas o que podemos fazer por enquanto é justamente votar em qualquer um para que o Bolsonaro ou alguém de seu clã não ocupe a presidência. E o nome com mais força no momento é o Lula, a despeito de suas limitações políticas e defeitos. Eu não sou partidário de passar pano pro Lula. A crítica tem que ser feita. Mas, como eu dizia no início, o bolsonarismo tem muito mais rejeição que o lulismo. E os motivos são claros e transparentes.

Na verdade, no mundo inteiro a disputa do momento é essa: Extrema direita x Social-democracia. O movimento trumpista de um lado, com Steve Bannon, e o social-liberalismo de outro. Não é exatamente esquerda. É um centro político, com composições heterogêneas, frentes-amplas, variando conforme as particularidades locais. Esquerda, centro democrático, verdes, etc. Tudo pra evitar que a extrema direita, virulenta e perigosa, alcance postos de poder. 

A gente pode ter restrições ao Lula e à política do PT, mas é indiscutível que Lula e seu partido lograram por suas próprias trajetórias conquistar a maior parte do eleitorado. Vejam as pesquisas de ontem. Lula tem por volta de 40% das intenções de voto em primeiro turno. Como que a gente vai falar que um cara desse não tem condições de vencer a eleição? O Lula deve ganhar a eleição no fim do ano. Tá claro isso. 

A direita talvez tivesse chance de vitória caso o bolsonarismo recuasse de sua candidatura. Mas isso não deve acontecer, porque a extrema direita prefere marcar posição. E vai perder, porque a parte civilizada da sociedade sabe que a extrema direita governa com ódio, defendendo os interesses do capital e golpeando duramente a população. 

Cabe à esquerda, nessa conjuntura, criar mecanismos de conscientização da classe trabalhadora, pra retomar espaço político e fazer virar a hegemonia. Porque, de fato, a social democracia, a frente ampla, algo que a gente pode classificar como esquerda neoliberal, esquerda pelega e tal, pode segurar a extrema direita nas instituições da representação política, mas também não vai tocar nenhuma política claramente trabalhista, progressista, de desenvolvimento e protagonismo popular. 

O máximo que o espectro esquerdo do neoliberalismo vai fazer é implementar pequenos programas sociais pra estancar a sangria do capitalismo tardio. Esse pessoal é especialista em colocar panos quentes nas coisas. Estão aí pra administrar a crise social aguda com altas doses de concessão ideológica, com rebaixamento programático e com identitarismo pra maquiar a falta de um posicionamento operário. A gente vota nesse pessoal não por gostar. A gente vota porque do outro lado só tem malucos, psicopatas, sociopatas, fascistas e canalhas da pior laia.