sábado, 13 de junho de 2026

Vamos passar vergonha na copa...

Breve nota, algumas considerações apenas.  


Afinal de contas, o futebol é alienação, ópio do povo e tal, como os mais críticos tendem a considerar; ou é uma válvula de escape necessária, uma catarse pra aliviar o peso existencial e dar ao cidadão um fôlego no meio das turbulências da vida? Olha, essa discussão é antiga e ainda vai dar pano pra muita manga. No Brasil o que é mais certo é que o futebol não é muito nem um nem outro. Não ultimamente. Virou mais um negócio pra fazer a gente passar nervoso. 

Olha que não podemos tirar a razão do camarada que simplesmente pára de acompanhar o futebol e vai fazer outra coisa da vida nas horas vagas. Conheci muita gente assim. É triste? É triste, mas pode ajudar a pessoa a se poupar de muito aborrecimento. 

Eu não paro de acompanhar o futebol. Adoro futebol, adoro mesmo. Passo horas assistindo no YouTube, dou replay, fico analisando as jogadas. Fico encantado com a plasticidade da coisa, com a habilidade de certos jogadores, com a engenhosidade e a inteligência envolvidas, com o estilo, etc. Também gosto de ler sobre o assunto, de conhecer as histórias, os casos inusitados, ou de ver como futebol e vida se entrelaçam de modo tão bonito; gosto de ver sobre as implicações políticas do esporte, sobre como a sociedade, principalmente aqui nesse lado latino do mundo, é movida a futebol e tem na bola tanto afeto, tanta bagagem de identidade e pertencimento, de sentido e de memória. O futebol envolve muita paixão, por time ou por seleção. 

Graças a Deus que o meu Palmeiras, nessa quadra histórica, não me faz passar por muito desgosto. Mas ver a seleção brasileira tem sido doloroso. Imagino que seja assim para a maioria das pessoas, e principalmente pras pessoas que tem um certo entendimento do esporte.

Primeiro que o Brasil não é mais o país do futebol. Nosso futebol é bonito, certamente, ainda tem seu charme, seus encantamentos, mas os europeus e os africanos, e alguns asiáticos também, evoluíram muito em bola e nos deixaram um pouco pra trás. 

Daria pra dar um jeito na seleção, afinal são jogadores que jogam nas melhores ligas do mundo, mas isso exigiria uma competência técnica e política que a CBF não tem tido condições de bancar. Fizeram péssimas escolhas quanto a técnicos para a equipe. Tite quando chegou parecia saber o que fazia, mas logo perdeu a mão e entregou o ouro em duas copas nas quais o Brasil teria boas condições de chegar aos jogos finais. Depois foi só barbaridade o que aconteceu. Ancelotti chegou gabaritado para o cargo, porém, nessa pequena sequência de doze partidas antes da copa, não conseguiu aparar as arestas que estavam colocadas, chegou a esse início de competição sem uma equipe definida, com os jogadores desentrosados, e sem um esquema de jogo que possibilite ao time equiparar-se às seleções mais bem preparadas. Ou seja, uma seleção como a nossa, que, embora tenha sido alcançada em termos de nível de excelência futebolística, poderia ainda permanecer em primeiro plano, está agora rebaixada, por assim dizer, ao nível de seleções que estão no patamar intermediário da bola. 

O que Ancelotti fez nessa primeira partida foi loucura. Montou o time sem lateral direito, porque não dá pra considerar que esses caras que entraram na ala direita tenham condições de jogar uma copa do mundo. Ancelotti ainda insistiu em Bruno Guimarães, que é um jogador que se mostrou insuficiente para manter um meio de campo de qualidade ao lado de Casemiro e Paquetá. Erra muitos passes e não tem técnica suficiente pra manter a posse de bola ou para chegar ao ataque com perigo. E o cara ainda foi lá e insistiu em Mateus Cunha, que, como bem disse o comentarista Neto, não tem condições de ser titular nem no Corinthians, que, a maioria do pessoal deve saber, é um time agora bem limitado e luta para fugir da zona de rebaixamento no Brasileirão. 

E outra, como é possível colocar esses caras pra jogar e não mexer em Endrick e Rayan, que estavam no banco e deveriam ser acionados, para, ao lado de Luiz Henrique e Vinícius Júnior, colocarem a zaga adversária pra correr?! Não, não fez isso. Deixou o time lá apático, com extrema dificuldade para estabilizar a partida e sair com um vergonhoso empate. É o fim da picada. O pessoal aí que se iluda à toa. O fato é que o Brasil dificilmente, mas muito dificilmente mesmo, passa das quartas de final. Aliás, se chegar nas quartas já tá ótimo. Com esse técnico, com essas escolhas, a seleção não engrena. Infelizmente é assim que é. Ficaremos mais quatro anos sem título de copa do mundo. É bom não criar expectativa pra frustração não ser arrasadora mais adiante. A gente continua admirando a maravilhosa história do futebol brasileiro e tenta não passar muito nervoso com o que fizeram da seleção. Vão por mim.